Aveiro - “Homem de Deus para a Humanidade Padre Joaquim Alves Brás 1899 – 1966”

o Salão de D. João Evangelista, “Florinhas do Vouga” em Aveiro reuniram-se a  28.01.2018 mais de uma centena de pessoas, autoridades Civis e Religiosas, para a apresentação do livro “Homem de Deus para a Humanidade Padre Joaquim Alves Brás 1899 – 1966”, com a presença do autor, Monsenhor Arnaldo Pinto Cardoso, Postulador da Causa de Canonização do Venerável Padre Joaquim Alves Brás.

Presidida pelo Reverendíssimo D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro, a sessão solene foi aberta e conduzida por Maria de Fátima Castanheira, Cooperadora da Família e Vice-Postuladora da Causa, que saudou a mesa, o Coro da Catedral e a assembleia, expressando a sua alegria pela feliz coincidência desta significativa evocação de Mons. Brás, pioneiro dos Institutos Seculares em Portugal, acontecer em Aveiro, em plena Semana do Consagrado.

Depois de maravilhosamente executado pelo Coro o “Hino do Fundador - Padre Alves Brás”, interveio Mons. Pinto Cardoso que focando, a nossa atenção na relação do Venerável Padre Brás com Aveiro, podemos descobrir o seu modo de atuação e o espírito que o conduzia na sua missão apostólica por todo o país: Zelo e profetismo; Fundação de centros; Formação integral; Promoção de Cursos; Retiros e pregação; Colaboradores e Assistentes.

Entre os primeiros Assistentes, citou o Padre António Henriques Vidal, de Aveiro, e o Padre Fernandes, entre muitos outros Assistentes que, com maior ou menor relevo, deram o seu contributo à OPFC, fosse na fundação local da Obra, e algumas vezes na aquisição de casas para sedes da Obra nas localidades, fosse num maior acompanhamento e ajuda às pessoas votadas à causa, bem como na dinamização de ações, e na intermediação com entidades públicas e privadas.

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Mons. Cardoso fez uma elucidativa resenha histórica da presença e ação do Padre Brás na cidade e diocese de Aveiro. Para preparar a fundação da Obra e do Instituto em Aveiro, a 22 de janeiro de 1956, o Padre Brás falou em quase todas as missas da cidade sobre o alcance espiritual e social desta Obra, que tinha sido dundada há quase 25 anos na Guarda. A 29 julho 1956 foi a abertura da primeira casa de Santa Zita em Aveiro e a inauguração solene em 20 janeiro de 1957, na Rua Ornelas, 20. Às 7 horas da manhã, o Padre Brás benzeu a capela e toda a casa. Seguiu-se a Santa Missa com prática, comunhão geral. Na sessão solene presidida pelo Arcebispo D. João Evangelista de Lima Vidal, o Padre Brás falou sobre: a) A situação moral, material e profissional das criadas; b) As causas desta situação, as famílias donde procedem, as famílias que servem e o abandono em que vivem nas nossas cidades; c) Remédios: formação no Evangelho, amparo e defesa; d) Colaboração com as famílias, com os patrões.

Com a compra da atual Casa de Santa Zita, vivenda Sachetti, antigo Lar das Irmãs do Sagrado Coração de Maria, depois de várias adaptações e reparações, a OPFC estabeleceu-se em casa própria, em 7 de outubro de 1958. Puderam então multiplicar-se e diversificarem-se as atividades formativas, reuniões, retiros, tríduos, celebrações, aulas de instrução elementar, corte e costura, culinária, serviços de mesa, quartos e roupas, tratamento de alfais litúrgicas, e aulas de liturgia, catequese etc., particularmente para as irmãs de seminaristas ou neo-sacerdotes.

Disse ainda que o Padre Brás acompanhou o Padre Vidal na inauguração da Igreja de Bustos em 8 de dezembro de 1962 e de 11 a 21 de novembro de 1963 orientou em Aveiroum encontro de Cooperadoras da Família para fazer um estudo aprofundado das Constituições do Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Eram 35 as participantes dos centros do Norte do País. A pedido de D. Domingos da Apresentação três Cooperadoras serviam no Paço Episcopal, como ainda hoje acontece. Várias Equipas de Cooperadoras deram cursos rurais em Ancas, Bustos, S. Lourenço do Bairro, Oiã, Fermentelos, Vilarinho do Bairro.A 13 de fevereiro 1966, foi o encerramento do Curso de Cultura Familiar em Bustos e dia 20 do mesmo mês e ano, em S. Lourenço do Bairro, com a presença do Padre Brás. Pouco tempo depois o Padre Brás morre, em consequência de um acidente de viação, a 13 de março de 1966. Mons. Cardoso evocou também a memória de D. Manuel Trindade, Bispo de Aveiro e autor da Biografia: “O Padre Joaquim Alves Brás Uma vida - Uma Obra”.

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Interveio depois D. António Moiteiro, grande conhecedor da Vida e da Obra de Mons. Brás, que manifestou o seu regozijo por presidir a esta sessão e apresentou: o Perfil espiritual do Venerável Servo de Deus Padre Joaquim Alves Brás.

1º - O Padre Joaquim Alves Brás nasceu a 20 de maio de 1899 na aldeia de Casegas, concelho da Covilhã, na Beira Baixa. Com 11 anos e fruto de uma extração de um tumor numa perna, contrai uma coxalgia crónica que o vai acompanhar ao longo de toda a sua vida. Durante a convalescença e da janela do seu quarto ensina o catecismo às crianças da sua terra.

Com 18 anos foi admitido no Seminário do Fundão e devemos anotar que em 1917, ano das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, não era nada comum entrar-se no seminário para ser sacerdote com essa idade. Apesar de ter um irmão sacerdote - o Padre António Alves Pacheco – que foi Vice-Reitor do Seminário Maior da Guarda, o sacerdote que intercedeu por ele foi o Padre Tomás Ramalho, que ainda conheci nos meus primeiros anos no Seminário do Fundão.

A sua vontade de ser sacerdote ultrapassa todas as dificuldades e é ordenado diácono pelo também Venerável Servo de Deus D. João de Oliveira Matos, bispo auxiliar da Guarda, e sacerdote, em 19. 07.1925, pelo bispo diocesano D. José Alves Matosos.

2º - A sua vida sacerdotal pode dividir-se em três etapas: de 1925-1930 foi nomeado pároco das Donas, paróquia ao lado do Seminário do Fundão; de 1930-1942 é Diretor Espiritual do Seminário da Guarda e confessor do bispo diocesano; de 1942 até á sua morte, em 1966, está dedicado exclusivamente às obras por ele fundadas: OPFC, Instituto Secular das Cooperadoras da Família e o Movimento por um Lar Cristão.

Homem de retiros e pregações, podemos observar o seu zelo sacerdotal na limpeza e arranjo da Igreja paroquial das Donas logo após o seu início como pároco.

3º -  O seu perfil espiritual podemos caracterizá-lo em três dimensões que fazem dele um homem de Deus e um sacerdote entregue plenamente à sua missão de construir o Reino de Deus, como observamos nas cartas escritas à cofundadora da OPFC e do ISCF Maria José Lucas (Zezinha Lucas):

a) Amor apaixonado a Jesus. «Eis para onde devem convergir todos os seus propósitos - humildade profunda, amor apaixonado a Jesus».

b) Trabalhar sem descanso e ser apóstolo: «Devemos sempre amar as almas e Deus, sem desalento nem enfraquecimento».

c) Progredir na vida espiritual e nas virtudes: «Saiba interpretar sempre caritativamente o modo de proceder das suas companheiras, saiba desculpar as pequenas coisas que se vão dando e que mal se podem evitar e saiba esquecer tudo o que possa perturbá-la».

4º - O carisma dado por Deus à sua Igreja na pessoa de Mons. Brás é a família e o lugar que ela ocupa no plano salvador de Deus. O objetivo a que dedicou toda sua vida foi a de impregnar as famílias de vida cristã, promovendo sem descanso um apostolado com as famílias e as pessoas que nelas pudessem ter influência, as empregadas de servir. Numa palavra, tudo ao serviço da família.

Com a publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, o carisma de Mons. Brás tem toda a atualidade eclesial e importa que aqueles e aquelas que participam nas obras por ele fundadas sejam capazes de interpretar os sinais dos tempos, intensificar esforços e métodos em anunciar a beleza do amor em família e ajudar a recuperar tantas fragilidades que estão presentes nas nossas famílias de hoje.

Termino com uma passagem do Papa Francisco: «Espero que cada um, através da leitura da Amoris Laetitia, se sinta chamado a cuidar com amor da vida das famílias, porque eles não são um problema, são sobretudo uma oportunidade» (AL 7).

Aveiro, 28 de janeiro de 2018.
+ António Moiteiro, Bispo de Aveiro.

Depois dos agradecimentos da Vice Postuladora e da atuação do Coro da Catedral, seguiu-se a sessão de autógrafos e serviu-se o Porto d’honra.

Texto: Etelvina Covêlo