Recordar, celebrar, perspetivar

Data

No mês em que a Família Blasiana celebrou algumas das datas mais marcantes da vida do seu fundador, assinalou também o 18.º aniversário do decreto que reconheceu a heroicidade das virtudes do Padre Joaquim Alves Brás. Um renovado convite a conhecer, viver e continuar o seu legado ao serviço da santificação da família e dos sacerdotes.

Celebramos o 18º aniversário do Decreto Pontifício que proclama a heroicidade das Virtudes do Padre Joaquim Alves Brás, conferindo-lhe assim o título de Venerável.  Título que lhe fora atribuído pelo Papa Bento XVI de Feliz memória, precisamente a 15 de março 2008.

Recordar e celebrar esta importante efeméride, e tantas outras, particularmente no mês de março, como adiante veremos, desafia-nos a nós Cooperadoras da Família e a toda a Família Blasiana, a olhar com o coração humilde, e agradecido para a Pessoa, a Vida e a Obra do Venerável Fundador e compromete-nos a seguir no seu encalço, a continuar a “Sua Obra” que é, antes de mais, Obra de Deus e da Igreja.

Conscientes desta realidade, o Grupo das Cooperadoras da Família de Carcavelos, não obstante, terem celebrado a “Festa do Fundador”, a 13 de março, sexta-feira, como anualmente vem sendo hábito, com toda a Família do “Botãozinho” – mais de duas centenas e meia de crianças – reuniram também domingo, 15 de março, para aprofundarem nas suas vidas, as virtudes teologais, cardeais e morais, que foram praticadas pelo Venerável Padre Brás em grau heróico e com ele confrontar a vida pessoal e de grupo. Foram dias maravilhosos, de muito trabalho e envolvimento, de alegria e crescimento humano e espiritual, marcadamente fraterno e solidário, uma verdadeira experiência eclesial.

Recordar e celebrar no concreto da nossa vida, a vida do Venerável Padre Brás é enriquecer o seu património espiritual, é atualizar e perpetuar, no tempo e no espaço, o seu Carisma: o cuidado da “Santificação da Família e dos Sacerdotes”, através das Obras que nos legou – Obra de Santa Zita, Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Centros de Cooperação Familiar e Movimento por um Lar Cristão.

Joaquim Alves Brás nasceu a 20 de março 1899 e faleceu 13 de março 1996; recebeu a Ereção canónica do Instituto Secular das Cooperadoras da Família a 19 de março 1961, até então Obra Pia das Cooperadoras da Família; o Instituto, através do Patriarcado de Lisboa, obteve da Sé Apostólica o Nihil Obstat para Instrução da sua Causa de Beatificação do Padre Brás a 12 março de 1990; o respetivo Processo de Canonização decorreu em várias Dioceses do País e foi encerrado, a nível diocesano pelo Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a 18 de março de 1992 e enviado para o Dicastério Romano a 31 de março, do mesmo ano; a primeira edição do Boletim Flores sobre a Terra foi a 1 de março 1995 e o Decreto de Venerabilidade a 15 de março de 2008, como acima referido. Deixam-se ainda outras datas, para não alongar, como por exemplo, o falecimento de seu pai a 2 de março 1923 e de sua mãe a 25 de março de 1944.

Efetivamente, março é de tal modo preenchido por datas marcantes da vida do Venerável Padre Joaquim Alves Brás que induziu a Família Blasiana a chamar-lhe ousadamente o “Mês do Fundador”, sem desprimor, naturalmente para o Mês de S. José, por quem o Padre Brás nutria uma especial devoção.

Da sua intensa vida sacerdotal destacam-se três etapas: de 1925-1930 é Pároco das Donas e Confessor do Seminário do Fundão; de 1930-1942 é Diretor Espiritual e professor de moral no Seminário da Guarda, e confessor do Bispo diocesano, D. José Alves Matoso; de 1942 até à sua morte, em 1966, dedica-se a tempo inteiro às Obras que fundou.

Porque celebramos dia 19 de março o 10º aniversário da Amoris Laetitia, faz sentido trazer aqui um excerto de uma Conferência de D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro em 2017: “O carisma dado por Deus à sua Igreja na pessoa de Mons. Brás é a família e o lugar que ela ocupa no plano salvador de Deus. O objetivo a que dedicou toda sua vida foi a de impregnar as famílias de vida cristã, promovendo sem descanso um apostolado com as famílias e as pessoas que nelas pudessem ter influência, as empregadas domésticas. Numa palavra, tudo ao serviço da família.

Com a publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, o carisma de Mons. Brás tem toda a atualidade eclesial e importa que aqueles e aquelas que participam nas obras por ele fundadas sejam capazes de interpretar os sinais dos tempos, intensificar esforços e métodos em anunciar a beleza do amor em família e ajudar a recuperar tantas fragilidades que estão presentes nas nossas famílias de hoje”.

Se é verdade que Monsenhor Brás, enquanto viveu na terra, gastou a vida e dedicou incansavelmente o seu sacerdócio a promover o bem das famílias, também é verdade que agora no Céu continua a advogar a Causa das famílias, particularmente daquelas que a ele recorrem com fé e devoção.

Maria de Fátima Castanheira